terça-feira, 30 de agosto de 2011

MEU PRIMEIRO GOLE





     Um jovem e inexperiente cowboy prepara-se para deixar a fazenda e ir conhecer a cidade. Penteia seu cabelo, coloca seu chapéu e limpa as botas. Mas antes de subir em seu cavalo Ligeiro a mãe surge e diz:  
    - Não leve o revólver para a cidade, filho! Deixe a arma comigo.
      E no caminho, enquanto galopa o seu cavalo Ligeiro, o vento tenta roubar seu chapéu, seus lábios assobiam uma canção e na memória, repetem-se as palavras da mãe:  
      - Não leve o revólver para a cidade, filho! Deixe a arma comigo.
     Ao chegar em uma cidadezinha, ele pára. Desce do cavalo Ligeiro e entra em um bar. Aproxima-se do balcão, tira a carteira do bolso e pede a sua primeira  bebida forte. Afinal, é preciso mostrar a todas aquelas pessoas ali dentro que já se tornou um homem; Porém, ao segurar o copo, a mão treme. Afobadamente, leva o primeiro gole à boca. 
      Ao seu lado, outro cowboy,  mais experiente, que já havia bebido mais da metade da garrafa que está sobre o balcão, começa a debochar do cowboyzinho.
     -Eu não gosto que tirem sarro da minha cara. Fico muito estressado. Tenho o pavio curto! Diz  o cowboyzinho, já sacando o revólver e apontando o seu cano para a cara do caçoador.  
      Mas antes que as balas saiam, balas vêm. Aquele que já havia bebido mais da metade de sua garrafa, não precisa nem parar de rir. Ele apenas atira primeiro.   
      Caído no chão,  diante de um público que adentra ao bar para assistir a morte de um cowboyzinho ; este, com o sangue da vida saindo de si, diz suas últimas palavras:
      - Não leve o revólver para a cidade, filho! Deixe a arma comigo.

        “Meu primeiro gole” é uma  versão da  música “Don’t  Take your guns to town” ( Não leve suas armas para a cidade) - de Jonhny Cash. Explorando a sua letra, podemos encontrar o tema "diálogo entre gerações".
       A mãe, representa as gerações precedentes e o filho, as atuais. "As armas" não precisam necessariamente ser interpretadas como "armas para matar". Em uma outra letra de música, do Titãs, há um trecho que diz: "Eu não consigo ser alguém / eu não consigo viver sem / Armas para lutar..." Nestes versos, as armas podem ser entendidas como ferramentas. Armas são instrumentos de luta. A nossa sobrevivência diária dentro de um sistema opressivo é uma luta que não termina.
        No livro "Psicologia da Educação"de Cláudia Davis e Zilma de Oliveira, encontramos a teoria de Vygotski (1896 -10934). Ela acrescent Instrumentos educativos. "O pensamento é construído paulatinamente  num ambiente que é histórico e, em essência social. Nessa teoria é dado destaque às possibilidades que o indivíduo dispõe a partir do ambiente em que vive e que dizem respeito ao acesso que  ser humano tem a instrumentos físicos ( como a enxada, a faca, a mesa etc) e simbólicos ( como a cultura, valores, crenças, costumes, tradições, conhecimentos ) desenvolvidos em gerações precedentes." Para poder  transformar o conhecimento as gerações atuais precisam do conteúdo que foi produzido por gerações anteriores.
           Ainda, para esticar o universo deste assunto, temos outra ilustração no filme "cidade dos homens". Dois jovens procuram por seus pais. Um fica sabendo que o pai já está morto e o outro encontra seu pai preso. Se quiserem sobreviver, além de deixar o ambiente hostil em que vivem , terão de fazer algo contrário àquilo que os pais fizeram. Um dos jovens, com dezoito anos, já tem um filho e não quer que o mesmo também cresça procurando pelo pai. Porém, mesmo tendo que mudar seu destino, passam o filme inteiro procurando por uma referência.
           Na mitologia grega, há uma figura que ficou conhecida por matar o próprio pai e casar com a própria mãe. Édipo, ao chegar na cidade grega aonde se cumpriria o seu trágico destino, foi abordado por uma criatura alada. A esfinge, que tinha corpo de animal e cabeça humana , desceu dos ares e perguntou:
           -Qual é o animal que tem olhos na nuca, mas corre para a frente? Decifra-me ou eu devoro você e esta cidade inteira.
           -O homem! Respondeu, Édipo.
           Os olhos na nuca, significam que é possível ver e ter certeza apenas do que se passou. Os fatos ocorridos ficam registrados, seja através da escrita ou de objetos que desenterram-se. Com o tempo tudo pode se esclarecer.Contudo, em relação ao futuro, mesmo que previsto ou planejado, antes que aconteça, há possibilidades de mudança.
           A revolução está no futuro, mas o conhecimento está no passado.  
            
          
       Texto: Osmar Batista Leal
     
 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ACERTO DE CONTAS.

-Senhor, tem alguém que quer vê-lo.
- Deve ser mais um puxa-saco que quer me parabenizar por mais esta vitória...
-Acho que não senhor, ele disse que está aqui para renegociar...
-Renegociar o quê? Como é esse sujeito?
-É um senhor bem vestido, elegante, tem pinta de empresário.
-Deve ser um daqueles que me apoiaram na campanha, mande entrar...
-Sim senhor!
-Olá senhor deputado! Primeiramente lhe dou os parabéns por seu sexto mandato consecutivo, foi mais uma infernal vitória, hahaha!
-Obrigado! Mas diga logo o que você deseja, tenho que me preparar para o discurso de posse...
-Lamento senhor deputado, mas já está na hora de pagar o que me deve...
-Creio que você não sabe com quem está falando, sujeitinho, eu não pago ninguém, apenas mando e todos obedecem... quem você pensa que é para me cobrar alguma coisa seu cretino?!
-Sou o diabo!

texto: Josmazar










sábado, 20 de agosto de 2011

O GALO E A RAPOSA




            A raposa estava com muita fome, mas o galo encontrava-se  trepado em uma árvore. A raposa não sabia trepar em árvores, portanto, para que o galo descesse, a raposa precisaria usar as suas palavras:
      -Tudo bem com você, galo? –perguntou a raposa
      -Comigo está tudo legal. E você, raposa? Tudo bom?
      -Comigo também está tudo bom. Mas vai ficar mais legal ainda se você descer aqui para nós bebermos umas cervejas!
      -Descer aí, para você me devorar! Acho melhor não. Aqui em cima da árvore é mais seguro!
      -Você está desatualizado, galo! Não está sabendo que a partir de hoje a presidente Dilma decretou uma norma em que os animais ferozes da sociedade não precisarão mais devorarem-se uns aos outros?
     -Bom, se é assim, se a presidente Dilma decretou uma norma em que a partir de hoje os animais ferozes da sociedade não precisarão mais devorarem-se uns aos outros, então eu vou pular... mas antes, vamos esperar aquela cachorrada que vem vindo chegar, para comemorarmos a norma, todos os animais da sociedade juntos!
       -Cachorrada vindo para cá? E se esses animais não estiverem sabendo da norma? Acho melhor eu ir indo. Falou aí, galo!

      
     Esta fábula foi inventada aproximadamente no século V antes de Cristo por um escravo grego chamado Esopo. Há mais de dois mil e quinhentos anos ainda não havia presidente Dilma, mas já havia a Democracia, forma de governo que , teoricamente, o Brasil vem construindo desde 1985, com o fim da ditadura militar.
      Mas para que se concretize o “poder do povo”, o povo tem que estar unido. E para que se una, precisa se entender. E para que  se entenda  é necessário estar em acordo. Um acordo entre as pessoas precisa de um conjunto de regras. A fábula fala das regras.
       A fábula usa os animais para mostrar a sociedade. Os animais fazem parte da natureza. Não precisam de regras, pois vivem naturalmente em harmonia. O homem precisa de normas porque optou por sair do estado natural e criar o estado civil. A civilização só funciona através de regras.
       Por este lado, esta fábula criada na idade antiga serve para discutir fatos políticos contemporâneos. Mas nesta discussão não podemos ocultar que ela também pode apresentar  uma moral  que distorce a realidade.
        Na fábula, a raposa  usa a suas palavras para enganar o galo, mas este é inteligente o suficiente para defender-se. Já, na realidade, quando o político usa as suas palavras para enganar o povo, o povo foi educado  o suficiente para defender-se?  
        Talvez eu nem precisasse escrever isto. O povo, ultimamente, nem  presta atenção em fábulas. Muitos nem lembram mais quem foi Esopo. Mas será que as novelas e os finais felizes, aos quais o povo assite diariamente não apresentam esse mesmo raciocínio moralizador? 
         
     Texto: Osmar Batista Leal

sábado, 13 de agosto de 2011

INCÔMODO




DEPOIS DE ANOS PASSADOS, COM IDEIAS EXTERIORIZADAS EM FOLHAS XEROCADAS E GRAMPEADAS, DIVULGANDO DE RUA EM RUA, BAIRRO EM BAIRRO, ESCOLA EM ESCOLA E ATÉ MESMO EM CHÃO DE FÁBRICA O "ACHAQUE" REENCARNA ATRAVÉS DESSE BLOG... CONTINUAMOS... CONTINUAMOS INCOMODANDO...