A raposa estava com muita fome, mas o galo encontrava-se trepado em uma árvore. A raposa não sabia trepar em árvores, portanto, para que o galo descesse, a raposa precisaria usar as suas palavras:
-Tudo bem com você, galo? –perguntou a raposa
-Comigo está tudo legal. E você, raposa? Tudo bom?
-Comigo também está tudo bom. Mas vai ficar mais legal ainda se você descer aqui para nós bebermos umas cervejas!
-Descer aí, para você me devorar! Acho melhor não. Aqui em cima da árvore é mais seguro!
-Você está desatualizado, galo! Não está sabendo que a partir de hoje a presidente Dilma decretou uma norma em que os animais ferozes da sociedade não precisarão mais devorarem-se uns aos outros?
-Bom, se é assim, se a presidente Dilma decretou uma norma em que a partir de hoje os animais ferozes da sociedade não precisarão mais devorarem-se uns aos outros, então eu vou pular... mas antes, vamos esperar aquela cachorrada que vem vindo chegar, para comemorarmos a norma, todos os animais da sociedade juntos!
-Cachorrada vindo para cá? E se esses animais não estiverem sabendo da norma? Acho melhor eu ir indo. Falou aí, galo!
Esta fábula foi inventada aproximadamente no século V antes de Cristo por um escravo grego chamado Esopo. Há mais de dois mil e quinhentos anos ainda não havia presidente Dilma, mas já havia a Democracia, forma de governo que , teoricamente, o Brasil vem construindo desde 1985, com o fim da ditadura militar.
Mas para que se concretize o “poder do povo”, o povo tem que estar unido. E para que se una, precisa se entender. E para que se entenda é necessário estar em acordo. Um acordo entre as pessoas precisa de um conjunto de regras. A fábula fala das regras.
A fábula usa os animais para mostrar a sociedade. Os animais fazem parte da natureza. Não precisam de regras, pois vivem naturalmente em harmonia. O homem precisa de normas porque optou por sair do estado natural e criar o estado civil. A civilização só funciona através de regras.
Por este lado, esta fábula criada na idade antiga serve para discutir fatos políticos contemporâneos. Mas nesta discussão não podemos ocultar que ela também pode apresentar uma moral que distorce a realidade.
Na fábula, a raposa usa a suas palavras para enganar o galo, mas este é inteligente o suficiente para defender-se. Já, na realidade, quando o político usa as suas palavras para enganar o povo, o povo foi educado o suficiente para defender-se?
Talvez eu nem precisasse escrever isto. O povo, ultimamente, nem presta atenção em fábulas. Muitos nem lembram mais quem foi Esopo. Mas será que as novelas e os finais felizes, aos quais o povo assite diariamente não apresentam esse mesmo raciocínio moralizador?
Texto: Osmar Batista Leal
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