segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NOVO GOLPE NA PRAÇA!



NOVO GOLPE NA PRAÇA !
( Ajude a alertar a população. Envie a mensagem para quem você conhece. Obrigado.)

       
   Um homem na lanchonete disse que tinha um mosquito voando perto do seu x-salada e pediu ao dono do estabelecimento para que providenciasse, imediatamente, um revólver para matá- lo. O dono da lanchonete estranhou, mas mesmo assim, emprestou seu revólver ao homem. De revólver na mão, o homem assaltou a lanchonete e saiu correndo  ao lado de seu parceiro mosquito.

 Texto: Osmar Batista Leal

sábado, 24 de setembro de 2011

ERA UMA VEZ UMA OVELHINHA CHAMADA ANÔNIMA...


Desde o pólo norte até o deserto,
Seguindo a maioria sem questionar,
Junto às outras lanudinhas
Anônima ia em todo tempo e lugar.

Salada de giló com nicotina
E um gole de pinga pra misturar
As ovelhinhas comiam e bebiam
E junto delas Anônima, sem indagar

A consequência era o vômito, o mal estar...
Mas o que ela fazer poderia,
Se sempre às outras seguia
Sem pestanejar?

A vida era assim,
Todos os dias,
Sem nenhuma opinião própria
Para expressar

Chegou o grande dia
E todas iriam pular
Para o precipício
Com todos os vícios,
A Legião expulsar

Mas e agora?
Pula, se esfola?
Ou pode evitar?

Helenicamente,
Age Anônima,
depois de teorizar

Béééééééééééééééééééééééé´!
Vividamente, explode Anônima
Depois de não imitar

Sai da caverna ,
Na realidade inteligível
Vai se edificar.

Construir o próprio caminho,
Sem determinismos mais aceitar

Mais um Bééééééééééééééééé´!
Pois se direciona agora, Anônima
pra onde  refletidamente,
Decide que Quééééééééééééééé!

Texto: JOSMAZAR

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

oferta de Natal




OFERTA  DE  NATAL

     O carro ia em velocidade constante. A paisagem noturna passava rapidamente pela janela.
     - Mamãe! Lá é o cemitério?
     - Não, meu filho. É uma igreja.
    O carro continuava. Passou pela Igreja. E foi.
      - Mamãe! Lá é o cemitério?
      - Não, meu filho. Lá é uma escola.
     O carro mantinha a sua velocidade. Deixou a escola para trás. E prosseguiu.
     - Mamãe. Lá é o cemitério?
     - Não, meu filho. É uma empresa.
     O carro não parava. Passou pela empresa e continuou em direção a seu destino.
     - Mamãe. Ali é o cemitério?
     - Sim, meu filho. Ali é. Volte para o seu caixãozinho que o carro já vai parar...
     -Por favor, não, mamãe... A senhora vai me deixar aqui... Não, mamãe...
     -Acalme-se, meu filho. Você terá de ficar, mas mamãe promete que não vai esquecer de mandar flores e acender uma velinha para você todos os anos!

   Texto: Osmar Batista Leal

sábado, 17 de setembro de 2011

Vamos ouvir o Rock and Roll...


                                                   
No contexto do senso comum, as inevitáveis respostas para se caracterizar o Rock  sempre trazem pré-conceitos. São, em sua maioria, opiniões desprovidas de conhecimento, meras falas repetitivas que se orgulham em afirmar tolices como: rock é coisa do diabo, é um som ouvido por drogados, bêbados, loucos que não têm o que fazer na vida, vagabundos, etc.
         Tais opiniões conseguem sustentabilidade pela força da propaganda dominante que reforça essa imagem e a transforma em atributos exclusivos do público que ouve este estilo. Nesse sentido, primeiramente se faz necessário fazer distinção entre ouvir e escutar. Para deixar clara essa diferença, cito um trecho da filosófica letra “Dias de Luta” da banda “Ira”:
“(...) quando se sabe ouvir não precisam muitas palavras, muito tempo eu levei pra entender que nada sei”...
 Quando se ouve algo, pressupõe-se atenção, isto é, há a intencionalidade de conhecer, de entender o que se está ouvindo. Quanto ao escutar, todos que possuem a capacidade auditiva não deficiente conseguem escutar, portanto, tal palavra não comporta necessariamente a ideia de conhecimento.
            Muitos escutam rock e dizem:
-Massa! Legal! Piração, loucura, rebeldia, protesto, anti-governo, violência, etc. Mas será que de fato, essas pessoas já ouviram o Rock and Roll? Deram-lhe atenção? Tentaram saber o que “ele” tem a dizer?
E essa é justamente a pergunta que dá origem a este texto, isto é, o que o rock tem a dizer? Pois, sabemos que ainda sobrevive, resiste às sufocações, modismos e distorções da mídia. E por isso, vamos ouvir o Rock and Roll  !!!

texto: Josmazar



terça-feira, 13 de setembro de 2011

O emaranhado

                             


  O emaranhado

      “Não é agradável bloquear  a passagem
       Não é agradável ir para a prisão ...
       Não é agradável carregar bandeiras
       Não é agradável sentar no chão...
       Você já nos disse uma vez
       Você já nos disse duas vezes ...
       Mas se esse é o preço da liberdade
       Nós não nos importamos”  
                   ( It isn’t nice – Malvina Reynolds)
       
       Rui passeava no bosque. Uma folha caiu de uma árvore. Não gostou de como ela caiu no chão. Desejou virar a folha. Agachou-se e levou a sua mão até ela. O guarda apareceu imediatamente.
      - Não pode fazer isso, senhor!
      - Vou apenas virar a folha!
      - Tem que pedir autorização na Secretaria da Árvore.
      - Onde fica?
      - No final do bosque. Eu dou o endereço.
      Meia hora depois, o homem estava na entrada da tal secretaria. Ficou apenas vinte minutos esperando para ser atendido. Uma mulher o recolheu numa sala e perguntou o que ele gostaria.
      -Virar uma folha.
      - Excelente projeto, senhor. É de sua autoria?
      - Sim.
      - Preencha esta fichinha, por favor.
      Ele retirou todos os documentos da carteira, preencheu duas vias e pagou uma taxinha. A moça leu e devolveu uma das vias dizendo:
      - Ótimo. Fico com uma e a outra o senhor apresenta na Secretaria da Folha Verde.
      - Obrigado. É longe ?
      - A meia hora daqui.
      O homem não entendeu bem o endereço de forma que levou uma hora para encontrar a Secretaria da Folha Verde. Desta vez aguardou quarenta minutos até ser atendido por um senhor de óculos. Mostrou a via, preencheu uma maior, pagou taxa e entregou ao senhor de óculos que passou atentamente com seus olhos por cima do que Rui escreveu na ficha e parou- os  para o  seguinte detalhe:
      - Está incompleta. Não consta qual é o bosque no qual está a  folha que o senhor quer virar.
      - Bosque  Ecológico.
      - Não é comigo. É na Secretaria do Tronco de Árvore. Mas eu vou dar uma autorização. Desça a escada e fale com o rapaz da portaria. Mostre a minha autorização para que ele lhe dê o endereço da Secretaria do Tronco de Árvore.
       Alguns meses depois, Rui voltou ao bosque com uma pastinha azul cheia de papéis assinados. Ainda era o mesmo guarda que estava no local. Apresentou entre todos os papéis, a assinatura do chefe da secretaria que o autorizava a virar a folha. O guarda pegou a autorização, leu e respondeu:
       - Mas o vento já soprou aquela folha daqui, senhor!

    Texto: Osmar Batista Leal  
       
     

sábado, 10 de setembro de 2011

O CORPO


O CORPO...

            Escuridão! Cinco horas da manhã... Um lugar qualquer.
            Os gritos do relógio quebram o silêncio...
Automaticamente um certo corpo “verticaliza-se”. Aparentemente parece despertar... Aparentemente seus olhos parecem se abrir.
            O corpo anda pelas dependências de sua morada. Os primeiros “rituais” são iniciados, tudo está “normal”. Nitidamente em seu semblante destacam-se o desânimo e a decepção com a relação “espaço-tempo”, ou melhor, com o maldito relógio. É hora “disso”, daqui a pouco será hora “daquilo”...  E o tempo passa, e a vida passa...  E o corpo? Vive? Não! O corpo passa.
            Trevas! O corpo caminha. Ainda está escuro lá fora. Ele e outros corpos vão ao encontro do “corpo maior”, o corpo transporte, o ônibus no qual juntos seguirão viagem...
            Cada corpo tem uma parada pré-determinada, mas a viagem é a mesma para todos.
            Para onde vão os corpos? Ao mesmo lugar que foram ontem, e que provavelmente irão amanhã... Um lugar estacionário na história dos corpos, um lugar onde o passado, o presente e o futuro de nada se distinguem.
            A viagem dos corpos foi sempre a mesma, é sempre a mesma e continuará sendo sempre a mesma se tais corpos não se derem conta de sua humanidade, de seu ser, da importância de seu trabalho...
-   Mãos para a direita! Mãos para a esquerda! Movimento acima, movimento abaixo!
- Apertem os botões!
Ordens, mandos e desmandos:
-    Faça isso, faça aquilo! Deixe de fazer isso, deixe de fazer aquilo!
E automaticamente o(s) corpo(s) obedece(m)!
           -   Agora vão buscar o “ossinho”!
E automaticamente os corpos vão buscar o ossinho, estão condicionados a correr atrás do ossinho. E o que ganham os corpos?
Nada! Os corpos não ganham, os corpos trocam! Seu suor, sua dignidade, sua própria humanidade, tudo em troca do verbo Ter, o “sacerdote do capitalismo”, o ter que significa não possuir e sim ser possuído, o ter que é consumir.
            Foi assim, é assim e programaticamente assim caminha a humanidade...
-          Faz parte! Propaga a mídia.
-          Faz parte! Repetem os idiotas!
 E essa é a única conjugação do verbo fazer, o verbo condenado a extinção!
             A sirene berra:
Tzsuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmm...
 E os corpos voltam para suas casas:
-  Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou!
Eu volto, eu volto, pra fábrica amanhã eu volto!
E o dia se passou. O tempo se passou. E os corpos?
Ganharam tempo? Ganharam conhecimento?
Não! Os corpos perderam vida!
           No “palco” sempre a mesma encenação, sempre os mesmos personagens: livres e escravos, servos e senhores, patrícios e plebeus, patrões e empregados. Em suma, dominadores e dominados.
E o trabalho? No que se transformou o trabalho?
Nas algemas da desumanização. Na domesticação do trabalhador.
E o trabalhador? No que se transformou o trabalhador?
            Em um corpo. Algo alheio a si próprio. Trabalhador como primeiro nome. Alienação como sobrenome.
                                                            Texto: Josmazar

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Lamúrias de Epimeteu




 Lamúrias de Epimeteu
                 
      Não sei se vou conseguir dizer alguma coisa hoje. Estou muito abatido. É  por causa do meu irmão. Vocês  devem tê-lo visto caído ali na rua.
      No dia em que ele falou pela primeira vez sobre o que pensava em fazer, eu o adverti:  
       -Prometeu. Você tem certeza que quer fazer isso? Zeus não vai te perdoar.
      Mas ele ainda me respondeu:
      - Epimeteu, Epimeteu! Cuide da tua vida que da minha cuido eu.
      Epimeteu é o meu nome. Foi a minha mãe quem escolheu. Ela tirou esse nome da mitologia grega. Quer dizer algo como “aquele que pensa depois”; E Prometeu é o que pensa antes. Mas o Prometeu  não pensou nas conseqüências de seu ato.
      Assim que ele começou a insistir sobre o que ainda faria, eu achei que fosse brincadeira. Imaginem, vocês. Ele falava que queria roubar o fogo do céu!
      - E o que fará com o fogo do céu? Perguntei ironizando.
      - Vou dar de presente à humanidade! - Ele respondeu seriamente.
      O Prometeu só podia andar fumando um. Eu pensei. Só fui perceber que havia realidade  na sua conversa quando vi que ele já vinha  distribuindo a pira para todos que encontrava em seu caminho.
        E agora, o castigo que Zeus lhe  deu  é muito cruel. Acorrentou o Prometeu  numa garrafa de pinga gigante, de onde, através do gargalo, sai todos os dias um abutre e bica-lhe o fígado. O quadro está  ali na  rua para quem quiser conferir.

       ( Prometeu acorrentado – Ésquilo
         Versão: Osmar Batista Leal )

      A grande revolução tecnológica já aconteceu lá no final da idade  da pedra lascada, quando o homem aprendeu a controlar o fogo. Com a tocha na mão ele pode espantar os animais ferozes,  cozinhar o alimento e iluminar a sua caverna.
      De lá pra cá o progresso não parou mais. Em apenas quinhentos mil anos, aproximadamente, de desenvolvimento, e já conseguiu   criar o computador. É preciso mais alguma coisa?
       Com a luz  de sua tocha o homem pode controlar , não somente grande parte da natureza; mas também, uma imensa parte da humanidade... Mas esse controle da humanidade pelo homem está longe de ser o controle de si mesmo.   
        O homem que aprendeu a controlar grande parte da humanidade significa o controle do homem pelo homem; O  ponto mais evoluído de nossa decadente política.   
        A  robotizada sociedade contemporânea é o desenvolvimento da técnica e da política estúpida. Nada além disso. Em educação humana, ainda estamos na pré-história...   
  
  

sábado, 3 de setembro de 2011

ORAÇÃO CAPITANIMALISTA




-Santo euro do senhor e dólar, nosso zeloso guardador,
Dai-nos o papel moeda de cada dia para que possamos comprar, vender e lucrar
Que o real nunca falte à nossa mesa para que possamos comprar, ter, consumir e lucrar.
Ofertamos a vós senhor:
As crianças que são educadas para o mercado de trabalho, para a competição;
Os adolescentes da fumaça, só agito e curtição;
Os políticos legais, durante as campanhas eleitorais, que depois disso nunca mais...
Oferendamos a vós senhor:
Os clérigos que arrebanham multidões, que vivem em palacetes e mansões, às custas da miséria e sofridão dos desesperados contribuintes que sustentam a arrecadação...
-Bebam e comam em paz - Coca-cola e Mc Donald’s - e que a gordura trans vos acompanhe!
                                                                                Texto: Josmazar