segunda-feira, 10 de outubro de 2011

COMO FICAR RICO (E manter a sua fortuna)



Como ficar rico (e manter sua fortuna)



   Meu nome é João Louco (1632-1704) Estou aqui hoje para  narrar uma história que fala de vida, liberdade e propriedade. Vamos começar com a seguinte pergunta:         
  - Quanto vocês têm coragem de pagar pela minha vaquinha?
  - Um real.
  - Dez centavos.
  - Nada.
  - Um milhão de dólares.
  - Não quero nem de graça.
  - Passe mais tarde... E para concluir o parágrafo, o menininho conseguiu vender a vaquinha por três feijões mágicos. Mas quando ele chegou em casa,  a mãe disse:
   - Mas como você é burro, menininho! Eu mandei você vender a Feldalícia porque já estávamos passando fome. Você foi lá e trocou a nossa vaquinha por três feijões mágicos! O que nós vamos fazer com três feijões mágicos, meu Deus do céu?  A Feldalícia era a nossa última economia.
     Estressadíssima, a mãe arrancou os três feijões mágicos da mão do menininho e fez “voar” pela janela. Mas à noite o vento trouxe os feijões mágicos de volta.
     De manhã, quando o menininho acordou e abriu a janela. Minha nossa senhora! Um pé de feijão gigantesco havia nascido.
     O menininho era muito ativo. Gostava de trepar em árvores. Quando fazia alguma traquinagem e a mãe pegava uma varinha, ele corria e subia numa árvore. Só descia quando a raiva dela passasse. Por isso começou logo a escalar o pé de feijão. Subiu, subiu, subiu e subiu... Foi parar lá no Palácio do Governo.
     Lá no Palácio do governo ele encontrou Capitalina. Capitalína era uma galinha que botava ovos de ouro. Escondeu a galinha debaixo do braço e saiu metendo o pé. O governo percebeu e correu atrás do ladrãozinho; digo, do menininho.
      Escapou do Palácio e desceu rapidamente pelo pé de feijão como se estivesse num conto de fadas. O Governo desceu atrás. Quando chegou aqui embaixo, o menininho percebeu que o governo descia bem louco atrás dele. Procurou pelo machado da mãe cortar lenha e com uma machadada bem dada, atorou o pé de feijão mágico, derrubando o Governo.
       Quando a mãe do menininho viu Capitalina, a galinha que botava ovos de ouro, ela disse:
       - Até que você não é tão burro como eu pensei, menininho. Dentro dessa galinha deve haver um tesouro ainda maior do que esses ovinhos de ouro. Aonde você largou o machado?
       - Larguei lá onde estava, mamãe! –disse o menininho ainda segurando Capitalina.
       - Vá buscar o machado para mim. Vou atorar essa penosa pelo meio!
       - A senhora está louca, mamãe! Eu li uma fábula do Esopo. Um camponês encontrou uma galinha que botava ovos de ouro. Partiu ela no meio pensando que dentro dela havia  um tesouro ainda maior. Não encontrou nada além de tudo o que há dentro de uma galinha normal.
     - Fábulas! Eu já te disse, menininho, que a vida não é uma fábula. Me dá aqui essa galinha e vá buscar o machado.
     Vendo que não havia outro jeito, o menininho foi buscar o machado. Entregou para a sua mãe, mas não deu a galinha. Saiu correndo de novo.
     Logo após a segunda fuga do menininho, a polícia que já havia averiguado que o Governo não sobrevivera à queda, chegou na casa e flagrou a mãe com o machado na mão. Prendeu a mulher imediatamente.  
   
    
      Meu nome é Antônio Preso ( 1891-1937) Estou aqui para contar o resto dessa história.
      - Um momentinho. Eu sou a pessoa que está acompanhando a história. Por que o João Louco foi embora  antes de terminar de contá-la?
       - Ele não sabe da sua continuação. Morreu antes... O menininho estava livre, mas teria de proteger a sua galinha. Havia uma multidão interessada em roubá-la. Foi esperto. Escondeu a galinha debaixo do seu chapéu.
       -Chapéu! Que chapéu é esse que o João Louco não mencionou?  
       - Ele não viu. Tratava-se de um chapéu invisível que o menininho encontrou ao lado da galinha dos ovos de ouro e trouxe consigo. Mas ele não tinha ideia de até quando a invisibilidade do chapéu duraria. Por isso armou um plano.
      Enquanto a multidão procurava pela galinha, organizou uma grande gincana. Ofereceu o primeiro ovo de ouro que a galinha botasse ao vencedor. Isto fez com que a multidão se dividisse e perdesse sua enorme força. O segundo ovo de ouro ofereceu ao prefeito para que ajudasse a administrar a gincana de forma que todos lutassem pelo ovo de ouro e nunca pela galinha. O terceiro ovo...
       -Já sei. O terceiro ovo de ouro daria a um advogado para que livrasse sua mãe da cadeia?
       -Não. Com o terceiro ovo de ouro compraria outra galinha dos ovos de ouro. Já pensou se ela morre  antes de botar o quarto?   

   Texto: Osmar Batista Leal
  ( Versão para “João e o pé de feijão” de Benjamim Tabart)  
   
 
      

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